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Fantasia Prévias

A Ruína de um Reino: O primeiro encontro de Lira e Elian – Prévia exclusiva

A RUÍNA DE UM REINO, da autora Alexandra Christo, é próximo lançamento da Literalize!

A história é uma releitura sombria de A Pequena Sereia e acompanha a princesa Lira, uma ninfa, amaldiçoada a se tornar humana após cometer um erro que enfurece sua mãe, a Rainha do Mar. Quando ela se alia ao charmoso príncipe Elian, as coisas saem um pouco de controle — afinal, ele é um caçador de ninfas.

O livro é um best-seller internacional e chega ao Brasil em novembro. Para ajudar os leitores a conhecerem melhor os nossos personagens principais, separamos uma cena mais do que especial para vocês! Ela está presente no capítulo 10, e é a primeira vez que nossos queridos protagonistas se encontram…

Leia agora, pela primeira vez em português:

(Atenção: a cena a seguir contém spoilers leves sobre o livro!)


Capítulo 10

(…)

Assim que colidimos, uso força para levar a sereia até a superfície. Ela ofega tentando respirar, pois o ar é um veneno tóxico para suas guelras. Rio quando ela segura a garganta com uma das mãos e tenta me arranhar com a outra. É uma tentativa de dar dó.
— É você.
Meus olhos disparam para cima. O príncipe de Midas nos encara, horrorizado e tomado pelo fascínio. Seus lábios se inclinam um trisco para a esquerda.
— Olhe só para você — sussurra. — Meu monstro, veio me encontrar.
Eu o observo com a mesma curiosidade com que ele me avalia. O jeito com que o cabelo bagunçado roça a mandíbula sombreada e cai sobre a testa quando o príncipe se inclina para nos ver melhor. A covinha profunda na bochecha esquerda e a expressão de admiração no rosto. Mas, nos segundos que opto por tirar os olhos da sereia, a criatura aproveita a oportunidade e empurra nós duas para frente. Acertamos o casco do navio com tanta força que toda a embarcação range com o nosso poder. Tenho pouco tempo para entender o que aconteceu antes de o príncipe tropeçar e cair na água ao nosso lado.
A sereia me puxa para baixo de novo, mas, assim que vê o príncipe na água, afasta-se, encantada. Ele afunda como uma pedra no solo do mar raso, em seguida se esforça para levar o corpo de volta à superfície.
— Meu tesouro — diz a sereia. Ela chega mais perto e segura a mão do príncipe, mantendo-o debaixo da superfície. — O seu coração é ouro? Tesouro e mais tesouro e ouro.
Sibilo uma risada monstruosa.
— Ele não fala psáriin, sua tola.
A sereia vira a cabeça para mim, 180 graus completos. A criatura solta um guincho infernal, então, finaliza o círculo e se volta outra vez ao príncipe.
— Eu coleciono tesouros — continua ela. — Tesouros e corações, mas como um só. Agora como ambos e me transformo no que você é.
O príncipe se debate, enquanto a sereia o mantém preso debaixo da água. Ele chuta e soca, mas ela está transfixada. A criatura acaricia a camisa dele, e suas unhas rasgam o tecido, arrancando sangue. Em seguida, a mandíbula se afrouxa até um tamanho inimaginável.
O príncipe para de se mexer, e seus olhos começam a se fechar devagar. Ele está se afogando, e a sereia planeja roubar o coração dele para si. Roubá-lo e comê-lo, na esperança de se transformar no que ele é. De barbatanas para pernas. De peixe para algo mais. Ela roubará o que preciso para reconquistar o respeito da minha mãe.
Estou tão furiosa que nem penso antes de esticar o braço e enterrar as unhas no crânio da sereia. Em choque, ela solta o príncipe, e ele flutua de volta à superfície. Afundo ainda mais as unhas. A sereia se debate e arranha as minhas mãos, mas sua força não é nada comparada à de uma ninfa. Ainda mais à minha. Ainda mais quando tenho uma presa na mira.
Meus dedos pressionam mais fundo o crânio da sereia, desaparecendo dentro da pele arco-íris. Sinto o osso duro do esqueleto. A sereia fica imóvel, mas eu não paro. Enterro os dedos mais um pouco e puxo.
A cabeça dela cai no chão do oceano.
Penso em levá-la para minha mãe, como um troféu. Enfiá-la em uma lança em frente ao castelo de Keto, um aviso para todas as sereias que ousem desafiar uma ninfa. Mas a Rainha do Mar não aprovaria. As sereias são suas súditas, seres inferiores ou não. Lanço mais uma olhada de desdém para a criatura antes de nadar até a superfície em busca do meu príncipe.
Encontro-o na mesma hora, na beira de uma pequena faixa de areia perto das docas. Ele tosse com tanta violência a ponto de sacudir todo o seu corpo. Cospe grandes goladas de água, e cai de barriga. Nado até tão próximo da costa quanto posso, depois me arrasto pelo resto do caminho, até somente a ponta da minha barbatana tocar a água rasa.
Estendo a mão e seguro o tornozelo do príncipe, puxo-o para mim para que o seu corpo fique na mesma altura que eu.
Chacoalho o ombro dele e, quando ele não se movo, eu o rolo de costas. A areia está grudada nas bochechas douradas, e os lábios estão ligeiramente abertos, molhados pelo mar. Ele parece estar quase morto.
A camisa se agarra à pele, e sangue escorre pelos cortes que a sereia abriu. O peito mal se move com a respiração e, se eu não pudesse ouvir o fraco bater de seu coração, teria certeza de que ele não passava de um lindo cadáver.
Coloco a mão em seu rosto e arrasto a unha do canto do olho até a bochecha. Uma fina linha vermelha borbulha em sua pele, mas ele nem se mexe. Sua mandíbula é tão afiada, que poderia me cortar.
Devagar, deslizo o braço sob a camisa e pressiono a mão em seu peito. O coração dele bate desesperado sob a minha palma. Apoio a cabeça ali e escuto a percussão com um sorriso. Posso sentir o cheiro do oceano nele, uma salmoura inconfundível, mas misturado logo abaixo está o mais suave dos aromas de erva-doce. Ele tem o cheiro do alcaçuz dos pescadores. Do óleo açucarado que usam para atrair o pescado.
Eu me pego desejando que o príncipe estivesse acordado, para que eu pudesse ter um vislumbre daqueles olhos de alga antes de lhe roubar o coração e dá-lo à minha mãe. Levanto a cabeça do peito dele e pairo a mão sobre seu coração. Minhas unhas agarram a pele do príncipe, e me preparo para afundar o meu punho.
— Vossa Alteza!
Ergo a cabeça em um estalo. Uma legião de guardas reais corre pelas docas em nossa direção. Volto a olhar para o príncipe, e os olhos dele começam a abrir. Sua cabeça pende na areia, e ele foca olhar. Em mim. Seus olhos se estreitam quando ele nota a cor do meu cabelo e o único olho combinando. Não parece preocupado com as unhas enterradas em seu peito, nem com medo da morte iminente. Em vez disso, parece resoluto. E estranhamente satisfeito.
Não tenho tempo para pensar no que isso significa. Os guardas estão se aproximando rapidamente, gritando por seu príncipe, armas e espadas a postos. Todas apontadas para mim. Olho para o peito dele mais uma vez, para o coração que cheguei tão perto de conquistar. Então, mais rápido do que a luz, eu me arremesso de volta ao oceano e me afasto dele.


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